O Berimbau é a alma da Capoeira! Aprenda de uma vez por todas a postura correta, os segredos para segurar baqueta e caxixi, e como tirar as 3 notas essenciais (Dom, Dim, Tch) para dominar a percussão brasileira com suingue.
O Segredo das 3 Notas: Como Tocar Berimbau e Encontrar a Alma da Percussão Brasileira
Sempre senti que o Berimbau é mais do que um instrumento; é a própria voz da Capoeira. Aquele som vibrante e cheio de personalidade é a energia que comanda a roda. Na minha vivência com a música e com a percussão brasileira, inclusive nas experiências que tive em instituições como o Projeto Guri, percebi que a maior barreira para quem quer tocar Berimbau não é a falta de ritmo, mas sim o desafio da pegada.
É difícil segurar o Berimbau, a baqueta, o caxixi e o dobrão (a pedra ou moeda) tudo ao mesmo tempo, mantendo a leveza necessária para o som vibrar. Muita gente desiste nessa primeira etapa. Eu estava revendo uma aula super detalhada sobre o assunto e decidi compartilhar aqui os pilares que você precisa dominar para que o seu Berimbau soe solto e potente.
Se o Berimbau na sua mão parece duro ou o som está abafado, prepare-se, porque vamos conversar sobre como transformar sua mão em um ponto de equilíbrio perfeito.
A Base da Percussão Brasileira: Postura e Pegada Certa
O primeiro passo é garantir que o Berimbau tenha liberdade para vibrar. Ele precisa estar solto. Para isso, o segredo está na distribuição do peso.
O Poder do Dedo Mínimo
A mão que segura o Berimbau (geralmente a esquerda) tem a missão de sustentação e afinação.
Sustentação Mínima: Você só deve segurar o corpo do Berimbau com o dedo mínimo (mindinho). Ele deve encaixar na primeira dobra, próximo à cordinha da cabaça. Isso exige um pouco de força, mas garante que o Berimbau fique "flutuando".
O Dobrão: A pedra ou moeda (dobrão) deve ser encaixada no dedão e no indicador. Esses dois dedos controlam o dobrão e são responsáveis por mudar as notas. É crucial que eles consigam movimentar o dobrão sem que o dedo mínimo solte o Berimbau.
A Mão Direita Completa: Baqueta, Caxixi e a Pinça Solta
A mão direita é a produtora de som, e ela tem três responsabilidades: chacoalhar o caxixi, bater a baqueta e manter a leveza.
Pegada da Baqueta: Segure a baqueta como se estivesse segurando uma caneta. Use a ponta do dedão e a primeira dobra do dedo indicador para fazer a "pinça". Essa pinça deve segurar a baqueta com firmeza, mas deve permitir que ela fique solta o suficiente para se movimentar livremente.
O Caxixi: Encaixe o caxixi nos dedos médio e anelar. Ele deve ficar um pouco de lado, para não atrapalhar o movimento da baqueta.
O Toque: Ao tocar o arame, você precisa arremessar a baqueta contra ele. A força vem do pulso e a baqueta precisa estar solta para "quicar" e tirar um bom som. Lembre-se de tocar em um ângulo que não seja totalmente lateral ao arame.
As 3 Vozes do Berimbau: Dom, Dim e Tch
O Berimbau tem três sons principais que, combinados, criam o ritmo da Capoeira. A diferença entre eles está na forma como o dobrão e a cabaça interagem com o arame.
Dom (Nota Grave): É o som do arame solto. O dobrão não encosta no arame e a cabaça deve estar afastada do seu corpo para ressoar livremente. Toque a baqueta próximo à área de tensão.
Dim (Nota Aguda): É o som mais difícil de tirar. Você precisa pressionar o dobrão firmemente contra o arame. Essa pressão diminui o comprimento do arame, subindo a afinação. Para fazer essa força, você tem que empurrar o dobrão para frente com o dedão e, ao mesmo tempo, empurrar o cabo do Berimbau para trás com os outros dedos. A cabaça também deve estar fora do corpo.
Tch (Nota Chiada/Abafada): É uma nota de percussão e textura. Você apenas encosta o dobrão no arame (sem apertar). Esse toque abafa a vibração do arame e, geralmente, a cabaça é encostada no corpo (no peito) para abafar o som da cabaça também.
Minhas dicas sobre o instrumento
Sempre que dou aulas, o maior tropeço que vejo é a dificuldade de coordenar a sustentação do Berimbau (mindinho) com o controle do dobrão (dedão/indicador).
O Desafio Comum: O aluno não consegue manter o Berimbau solto e, ao tentar fazer o Dim (nota aguda), o instrumento se desequilibra, o som fica estrangulado ou a mão se cansa rapidamente.
Minha Solução Prática: O Treino do "Mindinho Forte" Isolado
Para resolver isso, eu separava os movimentos. A técnica é como uma academia de dedos:
Isolamento de Sustentação: Peça para si mesmo segurar o Berimbau apenas com o dedo mínimo por 2 minutos, sem que os outros dedos toquem no arame ou no corpo do instrumento. Isso fortalece o mindinho e cria o hábito de deixar o Berimbau solto.
Transição Silenciosa: Com o mindinho sustentando, pratique apenas o movimento do dobrão: encoste (Tch), pressione (Dim) e solte (Dom). Repita essa sequência sem bater a baqueta, focando apenas na pressão e na transição suave entre as notas.
Dominando a sustentação e a transição silenciosa, quando você adicionar a baqueta, seu corpo já vai ter a memória muscular para manter o Berimbau estável, e o som virá com potência e clareza.
Conclusão
Tocar Berimbau é uma jornada que exige paciência, mas a recompensa é um ritmo inigualável. Comece focando na postura (mindinho forte e pinça solta) e domine as três notas principais (Dom, Dim e Tch).
O Berimbau é um instrumento de contrastes. Saber quando deixar ressoar (Dom, Dim com cabaça fora do peito) e quando abafar (Tch com cabaça no peito) é o que define o seu balanço na roda. Pratique a transição entre as notas e você estará pronto para dar o ritmo e a alma que a percussão brasileira exige.
Para ver o detalhe de cada uma dessas pegadas e a execução das três notas, assista à aula completa:
Dicas Essenciais para Tocar Berimbau:
Sustentação: Use o dedo mínimo para segurar o corpo do Berimbau, mantendo o instrumento solto para vibrar.
Baqueta: Segure a baqueta com uma "pinça" solta e arremesse-a contra o arame para um som limpo.
Dom (Grave): Toque o arame solto, com a cabaça fora do corpo.
Dim (Agudo): Pressione o dobrão firmemente contra o arame e mantenha a cabaça fora do corpo.
Tch (Chiado): Apenas encoste o dobrão no arame para abafar, e encoste a cabaça no peito para abafar o som geral.
Combinação: É possível tirar um segundo som com o dobrão (Agudo ou Chiado) imediatamente após a baqueta bater o arame.
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