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Percussão Brasileira em 8 Passos | O que é preciso para aprender percussão?

Quer sentir o ritmo do Brasil na ponta da baqueta? Eu, Ronaldo, que vivi a percussão em projetos como o Guri, te mostro as 3 chaves para dominar a percussão brasileira : referência, função e a voz. Prepare-se para tocar com alma. O Caminho Secreto para Tocar: 3 Dicas de Ouro para Dominar a Percussão Brasileira Eu costumo dizer que a percussão é o primeiro idioma da humanidade. É o ritmo que move a dança, que acompanha a alegria e que narra a nossa história. Para mim, o som de um agogô, um atabaque ou um berimbau não é só barulho; é a alma do Brasil falando. Se você também sente esse chamado e quer tocar, mas não sabe por onde começar, respira fundo. O segredo não está na técnica mais difícil, mas na sua forma de entender a música. Minha jornada na música, que começou lá atrás e me levou a projetos incríveis como o Guri, me ensinou que o aprendizado é sempre sobre a base. E é por isso que fiz questão de trazer umas dicas preciosas, inspiradas em uma aula que mostra o essencial.  Do...

Percussão Brasileira em 8 Passos | Como tocar Berimbau: Angola, São Bento Pequeno e Samba de Roda!


Sinta a energia da Capoeira! Eu te ensino a tocar os ritmos essenciais do Berimbau (Angola, São Bento Pequeno e Samba de Roda) e o segredo da ginga na percussão brasileira.


A Ginga do Som: Dominando os Ritmos Essenciais do Berimbau na percussão brasileira

Sabe aquele momento em que a roda de Capoeira começa a se formar, e o som do Berimbau entra, ditando o ritmo e a energia de tudo? Para mim, essa é uma das sensações mais puras da nossa cultura. Como percussionista, que já trabalhou com a formação musical em locais como o Projeto Guri, sempre fui fascinado por como um instrumento tão simples pode carregar tanta história e comando.

Se você assistiu à minha última conversa sobre o Berimbau, já dominou a arte de segurar a baqueta, o caxixi e o dobrão (a pedra), e já sabe tirar as três notas fundamentais: o Dom (grave), o Dim (agudo) e o Tch (chiado ou abafado). Agora, chegou a hora de dar vida a esses sons, aprendendo os três toques mais importantes para quem quer entrar de cabeça na percussão brasileira e no universo da Capoeira: Angola, São Bento Pequeno e Samba de Roda.

O segredo desses toques não é a velocidade, mas sim a clareza dos timbres e a sensação de ginga que você vai colocar em cada um deles. Vamos lá?

Três Batidas que Contam a História da percussão brasileira

Angola e São Bento Pequeno são a base rítmica da Capoeira, enquanto o Samba de Roda te conecta com a festa e o balanço do Samba.

1. Toque de Angola: A Base da Capoeira

O toque de Angola é a fundação de muitos ritmos na Capoeira e é essencialmente um ritmo mais lento e introspectivo, que pede um jogo mais baixo e estratégico.

A estrutura do toque de Angola tem uma característica muito particular: ele começa com uma pausa no primeiro tempo do compasso. Você só começa a tocar de fato no segundo tempo.

  • Padrão Rítmico: Ele usa duas notas chiadas (Tch), uma nota grave (Dom) e uma nota aguda (Dim).

  • Sequência Cantada: Tch Tch Dom Dim.

  • O Início: Para não começar no silêncio, é prática comum você dar a primeira nota (Dom) no tempo 1, apenas para indicar o ritmo, e só depois começar o padrão Tch Tch Dom Dim.

  • Chave do Toque: Lembre-se que as notas chiadas (Tch Tch) são rápidas (semicolcheias), e você deve abafar a cabaça no peito para que o som fique bem fechado.

2. Toque de São Bento Pequeno: A Variação Melódica

O toque de São Bento Pequeno é muito parecido com o de Angola. Na verdade, a rítmica é a mesma. O que muda é a melodia, ou seja, a ordem em que você usa as notas Dom (grave) e Dim (aguda).

  • O Contrário: Em vez de Grave-Agudo (Dom Dim), você faz Agudo-Grave (Dim Dom).

  • Sequência Cantada: Tch Tch Dim Dom.

  • O Contexto: Enquanto Angola é lento, São Bento Pequeno é frequentemente usado para jogos mais rápidos e soltos. Essa inversão melódica (Dim Dom) dá uma sensação rítmica de empurrão para frente.

Importante: Assim como no Angola, você também vai bater a primeira nota (o Dim do novo toque) só para marcar o início, e a levada Tch Tch Dim Dom começa a partir do segundo tempo.

3. Toque de Samba de Roda: A Batida Festiva

O Samba de Roda te tira da Capoeira e te joga na roda de Samba, literalmente. A levada que usamos no Berimbau é muito próxima à levada de condução que se usa em instrumentos como o Atabaque ou o Pandeiro.

  • A Rítmica: É uma levada mais longa, que se repete em 4 tempos.

  • O Segredo do Duplo Som: Para fazer essa levada soar autêntica, você precisa usar a técnica do duplo som: a baqueta toca o arame (som grave) e, no mesmo movimento, o dobrão toca o arame para abafar. O professor chama isso de Tói.

A Levada: Essa batida é feita em grupos de 4 tempos, repetindo um padrão que lembra o "Tum Tá Tum Tum" do Atabaque:

  • Repetição 3x: Tói (Dom com abafado) – Tch (Chiado) – Dom (Grave) – Dom (Grave).

  • Finalização: Depois de repetir o padrão três vezes, você faz uma acentuação final (virada) no quarto tempo para voltar ao início do ciclo.

  • O Toque Final: No Samba, a semicolcheia não é perfeita. Coloque um swing irregular nas notas, aquele toque jogadinho que faz o corpo balançar.

Minhas dicas sobre o ritmo

O maior desafio que eu encontrava nos meus alunos ao aprender os ritmos de Capoeira era a dificuldade de encaixar a pausa inicial do toque de Angola e São Bento Pequeno, ou seja, aquele compasso de espera antes da batida principal.

O Desafio Comum: O aluno começa a tocar o ritmo de Capoeira no primeiro tempo, ignorando a pausa, e o toque soa quadrado e "fora da roda".

Minha Solução Prática: O Estudo do "Silêncio Marcado"

Eu ensinava assim: A pausa é tão importante quanto a nota!

  1. A Contagem Mental: Peço para o aluno contar mentalmente 1-2-3-4, mas tocar apenas a batida do Tch Tch Dom Dim (ou Dim Dom) a partir do tempo 2.

  2. A Alternativa do Caxixi: Para tornar a pausa física, o aluno deve marcar o Tempo 1 apenas com o caxixi (o chocalho da mão direita).

    • No Tempo 1, a baqueta não toca, mas o caxixi dá um chacoalho forte.

    • No Tempo 2, a levada Tch Tch Dom Dim começa.

Ao preencher a pausa com o caxixi, você internaliza a contagem e garante que o seu Berimbau entra no Tempo 2, onde a ginga da Capoeira realmente se manifesta.

Conclusão

Dominar os toques de Angola, São Bento Pequeno e Samba de Roda é o seu passaporte para tocar o essencial da percussão brasileira no Berimbau.

A chave está em praticar a clareza dos timbres (Dom, Dim e Tch) e a coordenação das duas mãos, especialmente no duplo som do Samba de Roda. Mais importante que a velocidade é a precisão em entrar no tempo certo e colocar o swing brasileiro em cada batida.

Continue praticando, e logo o seu Berimbau estará ditando a energia de qualquer roda.

Se você quiser ver o detalhe de cada um desses toques e a execução de cada um, assista à aula completa: Percussão Brasileira em 8 Passos | Como tocar Berimbau: Angola, São Bento Pequeno e Samba de Roda!.

Pontos Chave para Dominar os Toques de Berimbau:

  • Angola (Ginga Lenta): Toque base da Capoeira, com a sequência Tch Tch Dom Dim e uma pausa no primeiro tempo.

  • São Bento Pequeno (Ginga Rápida): Mesma rítmica do Angola, mas com a melodia invertida: Tch Tch Dim Dom (Agudo-Grave).

  • Início do Toque: Para começar, bata a primeira nota (Dom ou Dim) no Tempo 1 e inicie o padrão rítmico no Tempo 2.

  • Samba de Roda: Ritmica mais longa (4 tempos) que usa a técnica do duplo som (Tói - baqueta e dobrão abafando).

  • Prática: Use o caxixi para marcar o Tempo 1 (o tempo de pausa) e garantir que seu Berimbau entre no ritmo com o swing certo.

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